Trabalho da equipe do CIHDOTT possibilita segunda captação de órgãos do ano

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Trabalho da equipe do CIHDOTT possibilita segunda captação de órgãos do ano
Equipe que atuou na captação de órgãos ocorrida nesta quarta-feira em Dourados

Mais uma captação de múltiplos órgãos ocorreu em Dourados, na última quarta-feira (14), no Hospital da Vida. A ação é resultado das intervenções do CIHDOOT (Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes), sob gestão da Prefeitura de Dourados, por meio da Secretaria de Saúde. Ao todo já foram realizadas 14 captações.

Na segunda ação do ano, foram captados fígado, rins direito e esquerdo e as córneas. De acordo com a comissão, os órgãos serão encaminhados para o Distrito Federal, Minas Gerais e Campo Grande.

A ação durou cerca de quatro horas.  Roseli de Oliveira Lopes, 50 anos, foi a doadora. De acordo com a enfermeira Ludelça Dorneles, até oito pessoas poderão ser atendidas, já que as córneas podem ser 'divididas'.

A família autorizou a doação de órgãos após a paciente ter morte encefálica. A enfermeira cita que a comissão informou à família a possibilidade de vidas serem salvas com a doação de órgãos e após consentimento deu andamento as ações.

"Nós conversamos com os filhos da Roseli e informamos que no caso da morte encefálica poderia acontecer a captação de múltiplos órgãos e deixamos que tomassem a decisão. Em um momento de luto, eles foram sensíveis à oportunidade de salvar outras vidas e isso torna recompensador o trabalho de toda equipe", disse.

A Central Estadual de Transplante, OPO (Organização de Procura de Órgãos e Tecidos), uma equipe de cirurgiões de Minas Gerais atuaram junto aos processos. Um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) prestou apoio em transporte.

Em depoimento a assessoria de comunicação da Prefeitura de Dourados, Cleiton Lopes Vargas, 27 e Cristiano Lopes Vargas, 26, filhos de Roseli, falaram sobre a emoção do ato. Eles contam que a mãe lutou uma semana pela vida e que neste momento difícil, o que os conforta é saber que a vida terá continuidade para a paz de outras famílias.

"Sabemos que tudo o que foi possível foi feito para salvar minha mãe, mas ela não resistiu. Então, pensamos em quantas famílias lutam para salvar algum ente querido, que precisa dos órgãos neste momento e com isso autorizamos ação. Saber que a vida dela vai continuar de alguma forma é o que nos dá um pouco de paz nesta hora de perda", disse Cleiton.

Ele conta que os cinco irmãos se reuniram para decidir sobre a doação e apenas um teve certa resistência devido ao "choque", mas logo entendeu a nobreza do gesto. Para o filho, é gratificante notar que Dourados tem crescido neste tipo de ação e as famílias devem se conscientizar da importância desse gesto.

"Minha mãe se torna parte desta história de procedimentos de captação na nossa cidade, isso é gratificante e precisa ser divulgado para que outras famílias se mobilizem também. Se acontecer algo comigo, quero ser doador também, pois dessa vida só vamos levar mesmo os momentos felizes", destacou.

Recentemente foi realizada em Dourados a primeira captação de pulmão e também a captação do primeiro fígado transplantado no mundo.

A enfermeira Ludelça Dorneles destaca que as ações têm colocado o município como referência nos procedimentos que são realizados com total apoio da gestão Délia Razuk e articulações do secretário de Saúde Renato Vidigal. 

Ela destaca ainda que a comissão continuará intermediando com as famílias quando houver a possibilidade de captação de órgãos, já que a ação é totalmente dependente do posicionamento dos familiares.

"Destacamos que é família quem decide, então é preciso falar sobre essa vontade. Nosso trabalho com foco em conscientização quanto ao tema e sua importância seguirá e a pretensão é elevar o número de captações", pontuou.

 

 Gizele Almeida/Assecom

Enfermeira do Hospital da Vida explica a filhos de doadora sobre os procedimentos

 

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