Filho único: problema ou solução? Eis a questão.

As pessoas continuam considerando as ideias antigas sobre o filho único para tomarem decisões importantes sobre a própria vida.

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Filho único: problema ou solução? Eis a questão.

De um lado, a chance de dar toda a atenção do mundo e oferecer o que há de melhor pelo fato de não ter que dividir as despesas. Do outro, o medo de que a criança se sinta sozinha e não tenha com quem dividir a vida no futuro. 

Dados bem interessantes que contradizem o senso comum. Um dos principais é: o estereótipo de que o filho único é solitário, egocentrado e que tem dificuldade para se adaptar socialmente persiste apesar de centenas de estudos negando isso. Os autores afirmam que crianças podem apresentar essas características independentemente de ter ou não irmãos. Os acadêmicos que estudam isso há mais de um século já derrubaram esse mito. Mas essa “atualização” não chegou à vida cotidiana. As pessoas continuam considerando as ideias antigas sobre o filho único para tomarem decisões importantes sobre a própria vida.

 Crianças sem irmãos são individualistas e mimadas?

Os estudos científicos não relacionam esses dois aspectos. Até porque a escola de hoje é uma importante equalizadora, que coloca todos num mesmo patamar, estimula a troca e o convívio igualitário, reprimindo atitudes que beneficiam apenas um. Quanto a ser mimado, dependerá mais do comportamento dos pais do que da circunstância da criança. Quando eles tendem a ter essa atitude, podem mimar um, dois ou três filhos. Se não têm essa postura, também não terão com um filho só. Para a criança, há vários caminhos para aprender as mesmas coisas. Você exercita a generosidade, por exemplo, com irmãos, primos, amigos ou colegas de classe. Não há formas melhores ou piores, há maneiras diferentes. Isso é normal na trajetória de desenvolvimento de qualquer um.

Muitos pais decidem ir para a segunda gestação alegando que, quando eles se forem, não querem que os filhos enfrentem essa dor sozinhos. O que você acha?

Sim, a questão da morte dos pais é um aspecto pesado para qualquer filho único, não há como negar. Porém, deve-se avaliar que ter irmãos não é garantia para nada. Você pode construir um vínculo saudável e de apoio com eles ou ter uma relação destrutiva e pouco acolhedora. Não dá para prever. Na falta dos pais, ter ou não irmãos interfere na vivência da dor, mas é apenas uma parte dessa experiência e não ela inteira.

Lauren Sandler 

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