Superação: metástase foi gatilho para homem virar triatleta

O triatleta explica que o metabolismo dele melhorou depois do esporte e ressalta que não passa dos limites nos treinos, que faz com acompanhamento especializado

A história de superação, garra e positivismo do Bruno Lopes é impressionante! Supervisor de vendas de veículos de Pernambuco, ele enfrenta o câncer alternando sessões de quimioterapia e triatlo.

Morador de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, ele foi diagnosticado com câncer no intestino aos 35 anos. Hoje, com 37, a doença evoluiu para metástase no fígado e pulmão. E o esporte vem dando força para Bruno, no corpo e na mente.

“Quando faço as “químios” fico meio debilitado, passo alguns dias muito enjoado e com o corpo fraco, então o esporte me ajuda a colocar pra fora aquela químio que fica no corpo e a queimar mais rápido”, disse Bruno.

No caso dele, a cirurgia não é indicada pelos médicos.

“Não operei porque são várias lesões com múltiplos nódulos e em vários órgãos ! Faço procedimentos cirúrgicos para diminuir minhas dores. Exemplo, estou hoje no hospital com quimio e treinos suspensos pra tentar aumentar a passagem no intestino por um extensor, porque quando evacuo sinto muita dor, uma vez que a lesão primária ela é no intestino com metástases no fígado e pulmão, por isso não posso operar, [tem] o risco do pós-operatório”, explicou.

Triatlo

O câncer não impediu Bruno Lopes de bater uma meta e tanto no triatlo, no último dia 19 de junho.

“Foi um 70.3. Corre 5km, pedala 90km e corre 21km”, comemorou.

E tudo foi registrado pelos sensores do Iron Man virtual.

“Corri no condomínio e a bike no rolo, com sensor ligado no Garmin e no sistema deles, aí no final atualiza [a contagem]”, explicou.

Acompanhamento

O triatleta explica que o metabolismo dele melhorou depois do esporte e ressalta que não passa dos limites nos treinos, que faz com acompanhamento especializado.

“Sou acompanhado, além da equipe médica, por uma educadora física e por uma nutricionista esportiva, que fazem toda a minha dieta e rotina de treinos diferenciados e numa carga tanto de esforço menor como de descanso maior!”, contou.

“O que mudou é que meu metabolismo ficou mais rápido ! Quando você faz químio ela não só mata as células cancerígenas mas também as células boas. Suas fibras musculares ficam mais frágeis então você termina educando o corpo. Quando recomeço, sempre com uma carga menor, com 09 dias mais ou menos consigo chegar mais forte no final da semana!”.

O câncer

“Ela [a doença] de fato humilha muito e massacra muito quem tem! As pessoas quando sabem ficam te olhando com pena, ou te julgam … [mas] cada um é um mundo. Só você sabe o que se passa na vida, os medos e os sonhos!”, lembrou.

“Não gosto de falar minha doença por que não me sinto doente, mas meu caso ele é auto-imune, são várias lesões e em vários órgãos o que buscamos e o controle”.

E mesmo com a quimioterapia mexendo com as emoções, Bruno, lembra:

“Me levanto sempre e vou à luta !”

Aceitação

Bruno conta que o esporte teve outra contribuição na vida dele.

“O Triatlon me ajudou muito na questão de aceitação sobre o que tenho e melhorou minha condição física na questão do tratamento.  Sinto que mesmo quando [me] interno com dores, ainda evoluo!”, contou.

E ele sabe que a história de superação ajuda a inspirar outras pessoas.

“Demorei a aceitar, mas [a história de supereação] tem que ser contada pra que mais gente seja motivada… Consigo passar um exemplo legal pra quem tem: não desistir independentemente de fazer esporte ou não! Precisamos ser melhores que nós mesmos e não desistir”, ensina.

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