Estudo aponta que dieta vegetariana reduz risco de doenças do coração,Por outro lado, aumenta risco de derrame

Cada vez mais as pessoas estão tomando consciência e mudando hábitos alimentares, optando por produtos mais saudáveis. Segundo um estudo publicado na revista científica British Medical Journal, que acompanhou 48 mil pessoas por 18 anos, veganos e vegetarianos apresentaram dez casos a menos de doenças do coração.

No entanto, em relação a pessoas que consomem carne, cerca de 1 mil acaba contraindo problemas cardíacos. A pesquisa mostrou também que para o primeiro grupo, o risco de derrame também é maior.

Dietas veganas e vegetarianas não são saudáveis?

Frankie Phillips, da BDA (Associação Dietética Britânica, na sigla em inglês), responde que não, isso porque o estudo foi observacional.

"Eles analisaram o que as pessoas comiam e acompanharam elas por anos, então se trata de uma associação, não de causa e efeito", diz ela, ressaltando que o importante é adotar uma dieta planejada e consumir uma variedade de alimentos.

O que consumir?

Ainda com base no estudo, são indicados cinco porções de frutas, legumes e verdura por dia, baseando as refeições em alimentos ricos amido e fibras, como batata, pão, arroz ou macarrão.

Não se esquecendo da proteína como carnes magras, peixe, frutos do mar, leguminosas, tofu ou castanhas sem sal. Vale destacar a inclusão de laticínios ou derivados.

Quem é adepto de dietas veganas e vegetarianas precisam tomar um cuidado a mais para garantir o consumo de quantidade suficiente de alguns nutrientes específicos.

Por exemplo, quem comem carne, laticínios e peixe geralmente apresentam nível suficiente de vitamina B12, considerada essencial para o sangue e o sistema nervoso.

No entanto, os veganos - que excluem além da carne, qualquer alimento de origem animal da dieta - podem apresentar deficiência de vitamina B12, embora esse tipo de nutriente também esteja presente em alimentos como cereais fortificados e extratos de levedura.

O ferro também é menos facilmente absorvido a partir de alimentos à base de plantas; portanto, aqueles que optam por não comer carne precisam compensar, incluindo certos alimentos, como pão e farinha integrais, frutas secas e leguminosas, na dieta.

Mas ela também pode ser obtida pela ingestão de soja torrada, vegetais crucíferos - como brócolis e couve-de-bruxelas -, feijão cozido, cogumelos, quinoa e amendoim.

O estudo

Ele analisa os dados do estudo EPIC-Oxford, um projeto amplo de pesquisa de longo prazo sobre alimentação e saúde.

Metade dos participantes, recrutados entre 1993 e 2001, eram consumidores de carne, pouco mais de 16 mil se consideravam vegetarianos ou veganos e 7,5 mil se declaravam "pescetarianos", seguidores de uma dieta "semivegetariana", que inclui peixes e outros frutos do mar.

Foram levados em consideração ainda outros elementos: histórico médico, tabagismo e atividade física.

Ao todo, foram registrados 2.820 casos de doença arterial coronariana (DAC) e 1.072 casos de acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame - incluindo 300 casos de derrame hemorrágico, em que ocorre sangramento no cérebro provocado pelo rompimento de um vaso sanguíneo.

O estudo constatou ainda que os "pescetarianos" apresentavam um risco 13% menor de desenvolver doença arterial coronariana do que quem consome carne. No caso dos vegetarianos e veganos, o risco era 22% menor.

Por outro lado, aqueles que adotam uma dieta à base de plantas apresentam um risco 20% maior de ter derrame. Os pesquisadores sugerem que isso pode estar relacionado a baixos níveis de vitamina B12, mas afirmam que é necessário realizar mais estudos para investigar essa conexão.

*Com BBC News

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