Homem ignora preconceito, torna-se 'manicure' e atende mais de mil mulheres

Mas logo todo mundo viu que não tinha nada a ver, que aquele pensamento [preconceituoso] é coisa de gente fraca da cabeça

O empresário Wallace Costa tinha 13 para 14 anos quando se ofereceu para fazer a unha de Priscila, filha de dona Lena, sua vizinha na favela Kelsons — uma das dezesseis que compõem o complexo da Maré, no subúrbio do Rio. O garoto finalizou tão surpreendentemente bem o trabalho que, na sequência, já o encaminharam para repetir a dose com a irmã de Priscila, Ingrid.

 Um mês depois, ele estava fazendo curso de manicure. Viado ou homem? Segundo o dicionário Michaelis, "manicure" significa "mulher especializada no tratamento e embelezamento das unhas das mãos e dos pés; manicura". Partindo dessa definição, como classificar a função de Wallace?

"Eu achei que ele fosse viado", diz a dona de casa Jessica de Abreu, 24 anos, que no momento submete suas unhas de cerca de 3 cm de comprimento à manutenção mensal. "Fui ver que ele era 'homem' quando fiz o primeiro alongamento [de unha]." Heterossexual, pai de família.

No início, os conhecidos do 'manicuro' (alguns dicionários incluem o termo no masculino) acharam o interesse dele estranho. "Quando eu comecei a fazer o curso, foi sinistro.

Mas logo todo mundo viu que não tinha nada a ver, que aquele pensamento [preconceituoso] é coisa de gente fraca da cabeça", diz Wallace, que tem 30 anos, é heterossexual, casado, pai de um filho de 2. Muito empreendedor, ele soube transformar o preconceito em marketing a favor. "Eu tô aqui para quebrar tabu!", afirma ele, muito obsequioso.”

Autodefinido "O Rei das Unhas", Wallace considerou o significado do termo "manicure" encontrado no dicionário — no masculino ou feminino — insuficiente para classificar o que faz. Preferiu algo in english. Ele agora é nail designer.

 

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